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AS VANTAGENS DE TER UM ANIMAL DE ESTIMAÇÃO - trabalho escolar

Trabalho Escolar no âmbito da Disciplina - Área de Projecto
Escola Secundária de Sampaio, Sesimbra
Alunas - Marisa Elias nº15 e Susana Coelho nº25
Turma - 12ºA (ano curricular 2007/08)


A desumanidade do abandono
Quando a época balnear chega, com ela vem o sol, a praia, o descanso, enfim uma série de comodismos que todos os seres humanos gostam, especialmente na companhia dos seus animais de estimação. Infelizmente há quem não sinta o mesmo, existem pessoas cuja palavra férias significa arranjar uma solução para os seus fiéis amigos de companhia, e quase sempre muitas destas pessoas optam por uma decisão fácil e eficaz: O ABANDONO. Embora esta decisão seja a mais incorrecta, faz parte da realidade e vemos cada vez mais animais abandonados durante o período das férias. Mas este problema não se resume apenas ao simples e horrendo facto do abandono, pois projecta-nos para problemas mais graves, começando logo pela exposição dos animais a ambientes completamente diferentes do habitual. Estes novos ambientes despertam nos animais os seus instintos naturais básicos, o que leva as pessoas a pensar “ele vai conseguir sobreviver, é da raça x e eles conseguem”. O que a maioria das pessoas não sabe ou se esquece é que, apesar dos animais terem esses instintos nos seus genes, não significa que se adaptem com êxito pois não foram ensinados a ser independentes, ou seja, como por exemplo, não foram ensinados a caçar pelos progenitores. Normalmente são criados num ambiente familiar desde bebés o que os leva a não precisarem de desenvolver os seus instintos. Depois ainda vem o problema das possíveis epidemias a que ficam expostos. A maioria dessas epidemias é transmissível, quer aos animais quer ao ser humano. Também é importante lembrar do trabalho que muitas pessoas têm ao auxiliarem os animais abandonados, dando-lhes abrigo, comida e até carinho voluntariamente. Estas pessoas conseguem organizar a sua vida e arranjar tempo para cuidar dos indefesos animais que lhes aparecem à porta.

A importância dos animais de estimação
Ninguém tem dúvidas que os animais domésticos são grandes companheiros e fazem muito bem a todos (tanto crianças como adultos). No caso dos adultos, principalmente aqueles que vivem sozinhos, os animais são como um membro da família, compensando as necessidades de afecto e atenção que só os animais nos sabem dar. Para as crianças, além de companheiros leais a todas as horas, os animais também servem para ajudar a criança a aprender as coisas do dia-a-dia, pois mostram de forma acelerada as principais fases da vida (nascer, crescer, adoecer, sofrer acidentes, cuidar de si, morrer). Como estas fases são mais aceleradas nos animais a criança acaba por conhece-las através deles. Além disso, os animais ajudam a criança a desenvolver o sentido da responsabilidade, visto que precisam de constantes cuidados. Num estudo feito por Robert Bierer constatou-se que as crianças, principalmente com idade entre os 10 e os 12 anos, que tinham animais possuíam maior empatia e auto-estima. Os animais de estimação também ajudam a diminuir os estados de ansiedade, tédio e medo e desenvolvem uma melhor capacidade de integração e uma melhor concentração na escola. Um factor importante na escolha dum animal de estimação é o facto da pessoa que o adquire ter alergias (como asma, bronquite, etc.). Se assim for, a pessoa deve optar por uma animal que não desencadeie energias, como por exemplo, um aquário com peixes ou uma tartaruga. Outro factor importante é a idade das crianças que irão conviver com o animal. Apesar de cada criança ter o seu próprio ritmo de amadurecimento, a idade apropriada para ter o seu primeiro animal de estimação é a partir dos seis anos. Nesta idade a criança já está familiarizada com a escola, já é mais sociável, possivelmente já compreenderá as suas responsabilidades em relação ao seu animal, ou seja, compreenderá que não o pode maltratar e que deve ter cuidados com a sua higiene e alimentação. Quando um casal já tem um animal de estimação e a mulher engravida, deverá haver treino de adaptação do animal à gravidez e, posteriormente, à chegada do bebé, pois os animais também podem não gostar de partilhar a atenção, podem sentir-se rejeitados, etc. Após o nascimento da criança deve haver sempre um adulto supervisionando as brincadeiras, pois o animal pode morder ou arranhar a criança sem querer principalmente quando esta começa a gatinhar e/ou a andar. Também se deve ter cuidado com a criança em relação ao animal pois ela pode magoar o animal devido ao facto de ainda não ter maturidade para lidar com ele. Os cães são muito brincalhões e adaptam-se facilmente às crianças, mas necessitam de tomar banho uma vez por semana e sair para passear no mínimo uma vez por dia, mesmo que a caminhada seja curta. Por isso deve-se ter em consideração se a pessoa que irá ficar com o animal tem possibilidades de lhe proporcionar o tratamento que precisa. Os gatos têm uma melhor higiene, são praticamente independentes, aprendem sozinhos a usar a caixa de areia, lavam-se diariamente com a língua e isso faz com que apenas precisem de tomar baixo uma vez por mês (na altura do banho também dever ser cortadas as unhas e caso não o saiba fazer o melhor é levá-lo a um veterinário). Pode-se então concluir que, apesar do trabalho e da constante atenção que os animais necessitam, somos sempre recompensados, pois eles proporcionam-nos alegria, companhia, lealdade, e muito mais que só os nossos amigos animais sabem dar.

Animais domésticos facilitam a comunicação
Uma pesquisa feita em Paris, na França, revelou que 76% dos entrevistados acreditam que a presença de uma animal doméstico favorece a comunicação entre os membros de uma família. Um grupo de 60 crianças foi observado e conclui-se que 63% delas possuíam animais de companhia como: cão, gato, pássaro, peixe ou tartaruga. Os resultados da pesquisa confirmam a importância desses animais no desenvolvimento da afectividade de crianças e adolescentes. O facto do animal estar permanentemente disponível para o convívio com os seus jovens donos aparece na pesquisa como uma factor-chave para o relacionamento entre os familiares e também torna os animais domésticos, uma presença de grande importância nos lares.

As crianças e os animais
A relação entre o homem e os animais domésticos existe há milhares de anos e tem sido objecto de estudo em várias áreas do conhecimento como a Antropologia, a Paleontologia, a Sociologia, a História das Mentalidades e a Psicologia. O estudo dos papéis desempenhados pelo animal de estimação na relação com os homens, bem como os desejos projectados por estes sobre os animais podem trazer importantes conhecimentos sobre o psiquismo humano. Quando a criança começa a crescer e a sensibilizar as suas relações de afecto, os objectos passam a ser substituídos por seres vivos. De todos os animaizinhos de estimação o mais comum e que mais interage com o ser humano é o cão. Com ele a criança pode brincar, correr, explorar o ambiente e viver novas experiências. Há um benefício significativo aqui: a criança não interage com total poder sobre o objecto de afeição e as suas acções provocam reacções. O cão pode correr para apanhar o objecto lançado, pode rosnar e até morder. Ele reage ao carinho, abana o rabo, salta...e agride, se for maltratado. E não é só o cão que interage com a criança, apesar de ser o mais comum, outros animais também têm um papel importante. O gato encosta-se e deixa fazerem-lhe festas e os peixinhos alvoroçam-se no aquário quando a criança lhes dá a comida. Além da relação de afecto que se desenvolve, do estímulo ao período sensório (motor, do tocar, do sentir, do explorar o corpo do animal e observar as suas reacções), muitos conhecimentos são adquiridos, tanto psicológicos como científicos. Ter um animal também requer cuidados e estes cuidados, orientados por um adulto, estimulam a autonomia e a responsabilidade. Cuidar da limpeza do animal e do seu habitat, cuidar da sua alimentação, dividir o seu pão e oferecer-se um pedaço da sua bolacha, medicá-lo quando necessário, também favorece o desenvolvimento do vínculo afectivo e a lidar com os mais diversos sentimentos, da frustração à alegria e até à morte. É neste aspecto da vida e da morte que o animal de estimação tem um papel muito importante, pois a criança aprende a lidar com a perda e com a dor. Um risco que todos corremos e queremos evitar e poupar, mas o ciclo da vida é assim. Nesta convivência tão saudável e necessária, a criança aprende e desenvolve as suas relações afectivas para o futuro, influenciando assim a sua forma de se relacionar com as outras pessoas e respectivos parceiros, com segurança, compreensão, aceitação e respeito. Se no mundo das artes encontramos lugar para o desenvolvimento da criatividade e do auto-conhecimento, é no mundo da natureza que a criança desenvolve a sensibilidade, a observação, a compreensão e os sentimentos de solidariedade, generosidade, afecto e carinho. Resumindo:
A criança que convive com animais, é mais afectiva, repartindo as suas coisas, é generosa e solidária, demonstra maior compreensão dos acontecimentos, é crítica e observadora, sensibiliza-se mais com as pessoas e as situações.
Apresenta autonomia, responsabilidade, preocupação com a natureza, com os problemas sociais e desenvolve uma boa auto-estima.
Relaciona-se facilmente com os amigos, tornando-se mais sociável, cordial e justa. Sabe o valor do respeito.
Desenvolve a sua personalidade de maneira equilibrada e saudável, tendo mais facilidade para lidar com a frustração e liberta-se do egocentrismo.
Curiosidades:
· Pacientes com autismo foram “acordados” do seu estado de constante recolhimento na presença e convívio com animais;
· Nos Lares de Idosos a presença de animais aumenta as expectativas de vida;
· A hipoterapia (terapia complementar com cavalos) é utilizada no desenvolvimento psicomotor de portadores da síndroma de Down e outras deficiências neuropsicomotoras congénitas ou adquiridas;
· Os animais são indicados para pessoas com deficiências sensoriais (cegos e surdos), dificuldades de coordenação motora (ataxia), atrofias musculares, paralisia cerebral, distúrbios comportamentais e outros problemas.
· O cão é capaz de pressentir antecipadamente as “convulsões” características da epilepsia, quer seja no ser humano quer noutro animal.

Como combater o abandono de animais
Existe, pelo menos, um milhão de animais abandonados em Portugal. O problema agrava-se de ano para ano pois também se torna mais difícil a adopção destes animais. As autarquias e as associações não-governamentais têm feito campanhas a alertar esta questão e para incentivar o amor pelos animais. Mas “pelo andar da carruagem” o número de animais abandonados ainda não é suficiente para sensibilizar as pessoas. Quando o nosso pai fica doente chama-se o 112 ou simplesmente levamo-lo às urgências ou, se não for grave, marca-se uma consulta médica. Pagam-se as taxas moderadoras e alguns remédios não serão inacessíveis porque temos comparticipação do Estado, para o qual pagamos os nossos impostos. Logo concluímos que, está tudo bem pensado e programado com custos acessíveis porque se trata da nossa saúde. O direito à saúde! E quando um gato ou um cão ficam doentes? Será que o gerente do banco vai ficar sensibilizado quando lhe pedir um empréstimo de 200 ou 300 euros para tratar do meu animais de estimação? Será que a minha família ficará tão sensibilizada que me vão oferecer dinheiro para eu tratar da saúde do meu gato? Será que ficará assim tão caro ao Estado ter meia dúzia de Hospitais Veterinários distribuídos pelas cidades mais importantes? Muitas das pessoas que têm animais ainda estão por civilizar! Muitas nem imaginam que existe a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, de se diz, no artigo 6 – alínea 2, de forma muito clara que, o abandono de um animal é um acto cruel e degradante. Combater o abandono dos animais não é fácil. Existem algumas sugestões para quem tem que lidar com donos irresponsáveis, por exemplo, a elaboração de panfletos simples e não dispendiosos que forneçam informações a todas as pessoas que tencionam entregar ou adoptar um animal. Estes panfletos devem mostrar às pessoas o benefício de ter um animal castrado, os custos em alimentação e medicação que qualquer animal precisa, a longevidade do animal, se o animal não for castrado quais as possibilidades de reprodução durante a sua vida natural (números reais), etc. No caso da pessoa, por alguma razão, quiser devolver o animal para abate, deve-se lembrar essa pessoa que o animal não teve culpa e que não pôde escolher um dono responsável e que quem tem a culpa é o próprio dono.

Todo o carisma dos pequenos felinos
A domesticação do gato não ocorreu de uma forma tão rápida como a do cão, ainda que não haja certezas. Pensa-se que a domesticação do gato terá ocorrido há cerca de 5000 anos, enquanto que a domesticação do cão ocorreu, aproximadamente, há 12 000 ou 20 000 anos. No antigo alto Egipto (actual Sudão), a população passou duma vida nómada para uma agricultura que, pelas características do Nilo, predispunha de alturas de boas colheitas e anos de seca. Consequentemente era necessário um armazenamento activo dos cereais, para posterior distribuição nas alturas piores. Esta acumulação de alimento causava a multiplicação dos roedores que, obviamente, causavam muitos prejuízos. Com este acréscimo de roedores o gato selvagem (predador natural de ratos e outros roedores) foi-se aproximando dos humanos para obter alimento mais facilmente. Por sua vez os humanos, vendo as vantagens desta aproximação, começaram a relacionar-se com os gatos até criarem uma relação estável. Estes gatos selvagens deram origem ao gato Egípcio e ao Abissínio. Também existem fortes evidencias de que o gato foi domesticado em diferentes locais e em diferentes épocas. Os gatos modernos resultam da mistura destas diferentes origens.

Psicologia Canina
Desde a pré-história que os humanos treinam o cão para desempenhar várias tarefas em troca de comida e abrigo. As tarefas eram bastante naturais e instintivas, incluindo a caça e a guarda. A relação entre o humano e o cão era muito simples, assim coimo ambos o eram na altura. Então, a humanidade iniciou o seu progresso, desde a saída das grutas à civilização, durante o qual o cão esteve sempre presente, adaptando-se e desempenhando novas tarefas, enquanto a relação entre ambos se ia complicando mais. Actualmente vivemos num ambiente diferente, no qual a relação entre humano e cão está sob um grande stress. Hoje exigimos um cão com boas maneiras, uma mente estável e um comportamento obediente, em vez das simples tarefas dos outros tempos. O aumento do número de cães e de gatos (como animais de estimação) e a sua concentração nas cidades obrigaram estes animais a viver em ambientes artificiais e a adaptarem-se ao ritmo de vida dos humanos. Por vezes, estas circunstâncias causam problemas de conduta o que torna mais difícil a convivência entre as pessoas e os seus animais, no ambiente que os rodeia. As condutas instintivas dos cães não mudaram quase nada com o passar do tempo, pois os cães domésticos e os cães selvagens ainda partilham muitas condutas instintivas e os mesmos padrões de comportamento de grupo. Mesmo com a criação selectiva feita pelo Homem ao longo dos anos, nada foi adicionado ao “desenho natural” do cão, apenas se destacaram algumas qualidades melhores e se diminuíram outras menos boas, mas são características que sempre estiveram presentes. Um treino e desenvolvimento de sucesso começa quando conhecemos e compreendemos o nosso companheiro canino, assim como a nossa capacidade de usar psicologia canina. Um terapeuta comportamental pode ter um papel muito importante, pois ajuda o dono a conhecer o seu animal, em termos de fisiologia comportamental e anatómica, aprendizagem e desenvolvimento. De igual modo será importante na identificação e correcção dos transtornos de comportamento, contribuindo para melhorar a qualidade de vida do animal e da pessoa. O terapeuta pode também identificar e diferenciar as condutas patológicas de inadaptação, elaborar diagnósticos e possibilidades terapêuticas. É importante não esquecer que uma boa relação entre o ser humano e o seu animal tem como base o respeito, o conhecimento, o amor e a confiança de ambas as partes, mas acentuando mais no humano. Muitas vezes os problemas têm solução, por isso não podemos desistir e procurar alguém especializado para nos ajudar.

Qualquer animal que escolha, será sempre um grande amigo
Em anos passados e principalmente na sociedade rural, os animais representavam uma utilidade totalmente ligada ao trabalho, mas actualmente, num mundo urbano cada vez menos “natural”, os animais já não são usados para esta utilidade. Devido às exigências sociais e ao facto de todos vivermos uma vida extremamente stressante, o Homem isola-se a nível emocional através de uma profunda necessidade de comunicação interpessoal. Estes factos causam uma vontade de procurar alivio para a solidão e algo que mantenha vivo o sonho e as lembranças de uma natureza cada vez mais distâncias. Assim, o animal doméstico transforma-se num confidente e amigo cuja compreensão e paciência permite aliviar a ansiedade e as depressões existentes no ser humano. Deste modo podemos provar que:
Acariciarmos um animal pode ajudar a relaxar e a baixar a pressão sanguínea;
Observar um aquário faz com a pessoa se sinta mais calma (é aconselhado por muitos terapeutas em situações de stress laboral);
Os animais de companhia, especialmente os cães, ensinam as crianças a comunicarem melhor e a estabelecerem mais facilmente relacionamentos sociais;
Os animais de companhia estimulam o bom humor e o divertimento (numerosos estudos indicam que o bom humor é a melhor ferramenta para combater o stress e aliviar a tensão);
Nas pessoas idosas, a companhia dos animais permite reduzir, de forma deslumbrante, o número de visitas ao médico e os riscos de suicídio.

 

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